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Σάββατο 28 Ιουνίου 2014

ΦΕΡΝΑΝΤΟ ΠΕΣΣΟΑ!



FERNANDO PESSOA


SE RECORDO QUEM FUI

Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.


26-5-1930

Δευτέρα 28 Οκτωβρίου 2013

ΦΕΡΝΑΝΤΟ ΠΕΣΣΟΑ





FERNANDO PESSOA


SONHOS

Sonhos, sistemas, mitos, ideais…
Fito a água insistente contra o cais,
E, como flocos de um papel rasgado,
A ela dando-os como a um justo fado,
Sigo-os com olhos em que não há mais
Que um vão desassossêgo resignado.

Eles a mim como consolarão -
A mim, que de inquieto já nem choro;
Que na êrma mente e no êrmo coração
Sombras, só sombras, sombra, rememoro;
A mim, em tudo, sempre em vão,
Cansado até dos deuses que não são?



Το υλικό της ανάρτησης μάς το έστειλε η εικονιζόμενη φίλη του ιστολογίου κ. Olivia Palermo.

Κυριακή 13 Οκτωβρίου 2013

ΦΕΡΝΑΝΤΟ ΠΕΣΣΟΑ!




FERNANDO PESSOA


MINHA MULHER

Minha mulher, a solidão,
Consegue que eu não seja triste.
Ah, que bom é ao coração
Ter este bem que não existe!

Recolho a não ouvir ninguém,
Não sofro o insulto de um carinho
E falo alto sem que haja alguém:
Nascem-me os versos do caminhos.

Senhor, se há bem que o céu conceda
Submisso à opressão do Fado,
Dá-me eu ser só – veste de seda -,
E fala só – leque animado.

Παρασκευή 27 Σεπτεμβρίου 2013

ΦΕΡΝΑΝΤΟ ΠΕΣΣΟΑ!






FERNANDO PESSOA


O AMOR, QUANDO SE REVELA

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala
Fica só inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...



Το υλικό της ανάρτησης μάς το έστειλε η εικονιζόμενη φίλη του ιστολογίου κ. Jane Loss.

Κυριακή 22 Σεπτεμβρίου 2013

ΦΕΡΝΑΝΤΟ ΠΕΣΣΟΑ!





FERNANDO PESSOA


LISBOA COM SUAS CASAS

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores…
À força do diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
À força do monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.

Τετάρτη 14 Μαΐου 2008

ΠΕΣΣΟΑ!


FERNANDO PESSOA


QUANDO ESTOU SÓ RECONHEÇO


Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.


Μας το έστειλε η φίλη του μπλογκ κ. Belen Rodriguez.